O experimento gestáltico como experiência de desenvolvimento de habilidades terapêuticas

Autores

  • Manoella Preuss da Silva UFCSPA
  • Brenda Pasa Kroth UFCSPA
  • Tainá Ângela de Azevedo UFCSPA
  • Hellen Teixeira Brito Pereira UFCSPA
  • Lucia Marques Stenzel UFCSPA

Palavras-chave:

gestalt-terapia, cadeira vazia, relação terapêutica, formação, supervisão

Resumo

O aprendizado de Gestalt-terapia (GT) nas universidades brasileiras vem se apresentando como um verdadeiro desafio; a abordagem humanista é historicamente pouco explorada nas matrizes curriculares de instituições privadas e públicas (FARIA, 2012), e muitos graduandos de psicologia não têm contato prático ou teórico com a abordagem gestáltica durante sua formação. Diante do exposto, entende-se que as oportunidades de contato com a GT na graduação ainda são limitadas e devem ser exploradas com entusiasmo. Para a Gestalt-terapia, todo e qualquer experimento objetiva auxiliar o cliente a ampliar a awareness, portanto deve ser selecionado e fundamentado de acordo com a necessidade do cliente (ALVIM; RIBEIRO, 2009). Este trabalho objetiva apresentar uma possibilidade de aprendizado de um experimento gestáltico em contexto de aprendizagem universitário, propondo comentários sobre a trajetória de uma sessão de cadeira vazia a partir de material de supervisão. Trata-se de um relato de experiência descritivo-reflexivo, elaborado a partir da vivência da mestranda e gestalt-terapeuta na observação e supervisão da atividade, ocorrida durante a disciplina Técnicas de Intervenções II do quinto semestre do curso de Psicologia da UFCSPA, em que são realizadas sessões de psicoterapia simuladas dentro de um projeto pedagógico e de pesquisa aprovado pelo Comitê de Ética. Este relato analisa uma das sessões simuladas do banco de dados do projeto, envolvendo a técnica da cadeira vazia, gravada, transcrita e analisada à luz de Lobb (2025). A cliente fictícia C. foi representada por uma monitora e psicóloga, e a terapeuta por uma das estudantes da disciplina; ao final, a dupla e os demais alunos compartilharam suas impressões. A terapeuta convidou C. ao experimento de maneira empática e habilidosa, reconhecendo sua necessidade de comunicar como se sentia em relação ao ex-namorado, e colocou corpo e presença à disposição da cliente, o que é observável a partir de gestos, palavras e olhar. Na perspectiva relacional da Gestalt-terapia, a cadeira vazia ultrapassa a mera execução do experimento, priorizando a qualidade do encontro e do diálogo terapêutico, achado alinhado ao estudo de Paivio e Greenberg (1995) sobre a eficácia da técnica na resolução de sentimentos não resolvidos. Todavia, observou-se fragilidade no encerramento: ao retornar à sua cadeira, a cliente sentou-se naquela que representava o ex-namorado, relatando desconforto e dificuldade de sair totalmente do experimento; ainda assim, a terapeuta conseguiu demarcar tratar-se de uma experiência passada, resgatando a cliente desse lugar, que finalizou a sessão com humor mais elevado. Na supervisão, foram retomados o passo a passo da técnica, alinhando expectativas em relação a experimentos realizados por terapeutas experientes e ressaltando a importância da relação. Conclui-se que, independentemente da qualidade das intervenções, o experimento em si já constitui uma oportunidade ímpar de vivenciar situações inacabadas do dia a dia, modificando a maneira como a pessoa encara sua realidade; para os estudantes, não se trata de realizar o experimento sem deslizes, mas de entrar em contato com o que essa intervenção demanda de si e da cliente, identificando potenciais e dificuldades. Ao final, a aluna apresentou uma reflexão escrita sobre sua primeira experiência como terapeuta, destacando seu desenvolvimento profissional e o estabelecimento da relação terapêutica com a cliente C., o que considerou parte essencial em sua formação como psicóloga.

Referências

ALVIM, Mônica Botelho; RIBEIRO, Jorge Ponciano. O lugar da experiment-ação no trabalho clínico em Gestalt-terapia. Estudos e Pesquisas em Psicologia, Rio de Janeiro, v. 9, n. 1, p. 37-58, 2009. DOI: 10.12957/epp.2009.9134.

FARIA, Nilton Júlio de. O ensino da Gestalt-terapia em cursos de graduação em psicologia. Revista Brasileira de Psicoterapia, Porto Alegre, v. 14, n. 2, p. 41-51, 2012. Disponível em: https://rbp.celg.org.br/detalhe_artigo.asp?id=94. Acesso em: 30 jul. 2026.

LOBB, Margherita Spagnuolo. A virada relacional em Gestalt-terapia: da "cadeira vazia" para a "dança da reciprocidade" no campo. IGT na Rede, Rio de Janeiro, v. 22, n. 42, 2025. DOI: 10.5281/zenodo.15546861.

PAIVIO, Sandra C.; GREENBERG, Leslie S. Resolving "unfinished business": efficacy of experiential therapy using empty-chair dialogue. Journal of Consulting and Clinical Psychology, Washington, DC, v. 63, n. 3, p. 419-425, 1995. DOI: 10.1037/0022-006X.63.3.419.

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Publicado

2026-10-30