O cuidado ao luto em grupo
Uma experiência formativa
Palavras-chave:
Gestalt-terapia, luto, grupos reflexivos, formação em Psicologia, cuidado psicológicoResumo
Este relato de experiência apresenta reflexões sobre a facilitação do Grupo Reflexivo de Apoio à Pessoa em Luto (GRAL), desenvolvido no Ambulatório Universitário sobre o Luto (AMBLu), vinculado ao Serviço de Atenção Psicológica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Parte-se da compreensão de que o luto constitui uma experiência singular, atravessada pelas relações estabelecidas ao longo da vida e pelas possibilidades de reconhecimento social da perda, sendo frequentemente marcada pela escassez de espaços de acolhimento e compartilhamento do sofrimento. O trabalho teve como objetivo descrever e analisar criticamente a experiência de facilitação do GRAL, destacando suas contribuições para o cuidado psicológico às pessoas enlutadas e para a formação clínica de estudantes de Psicologia, em diálogo com referenciais da Gestalt-terapia e da perspectiva construcionista social do luto. Trata-se de um relato de experiência desenvolvido a partir de dez encontros grupais semanais, realizados entre setembro e novembro de 2025, com seis participantes enlutados por diferentes tipos de perda. O grupo foi conduzido por dois facilitadores, contando com equipe reflexiva e supervisão clínica semanal. Como disparadores da experiência foram utilizados recursos como músicas, fotografias, objetos significativos, Baralho do Luto e Cartografia do Luto, favorecendo a expressão das vivências, a construção compartilhada de sentidos e a reflexão sobre a experiência da perda, conforme a proposta teórico-metodológica dos grupos reflexivos de apoio ao luto. Ao longo do processo grupal emergiram temas relacionados à culpa, às pendências afetivas, à solidão, às dificuldades de reconhecimento social do luto, ao sofrimento intensificado em datas comemorativas e à pressão pela retomada precoce da rotina. O grupo constituiu-se como um espaço de escuta, acolhimento e compartilhamento de experiências, fortalecendo vínculos entre os participantes, favorecendo o reconhecimento da singularidade de cada processo de luto e possibilitando a construção coletiva de novos sentidos para a perda. Para os facilitadores, a experiência evidenciou a importância da supervisão clínica, da postura ética e da disponibilidade para sustentar o processo grupal por meio da presença, da escuta e do respeito ao tempo de cada participante, aspectos coerentes com a prática clínica em Gestalt-terapia. Conclui-se que o GRAL constituiu um potente dispositivo de cuidado psicológico ao favorecer a elaboração compartilhada da experiência de perda, a ampliação do suporte social e a reconstrução de sentidos. Além disso, evidenciou a potência da articulação entre ensino, pesquisa e extensão na formação em Psicologia, reafirmando a contribuição da Gestalt-terapia para práticas grupais comprometidas com a experiência vivida, a relação dialógica e o reconhecimento da singularidade humana.
Referências
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