Cultura digital e hiperconectividade

Tecendo diálogos com a Gestalt-terapia

Autores

  • Danielli Matos Fernandes Tomaz Universidade da Região de Joinville

Palavras-chave:

Gestalt-terapia, Hiperconectividade, Cultura Digital, Awareness, Interrupções de contato

Resumo

O presente estudo de revisão bibliográfica analisa, sob a ótica da gestalt-terapia, a relação entre a cultura digital e a experiência de hiperconectividade do sujeito contemporâneo, buscando relacionar esse fenômeno com a dinâmica da percepção de figura-fundo, as interrupções e cristalizações no ciclo de contato. Nesse contexto, se faz presente a reflexão sobre a lógica neoliberal de desempenho e autoexploração problematizado pelo filósofo contemporâneo Byung-Chul Han. O mesmo descreve a transição do sujeito do "dever" para a ilusão do "poder"; transição essa que faz dos indivíduos reféns da presença digital exacerbada e da sua experiência, consumo de informações e produtividade ininterrupta. Mediante a esse cenário permeado por excesso de estímulos no ciberespaço, esse estudo apresenta como os fatores supracitados a anulação da importância do que a gestalt-terapia denomina de "vazio fértil" e comprometem a capacidade de autorregulação organísmica e a awareness, o que consequentemente resultam nas cristalizações nas fronteiras de contato. Visto isso, as interrupções de contato e os ajustamentos criativos cristalizados aparecem na clínica através de sintomas, como a ansiedade generalizada, perda de autenticidade, isolamento social e relacional. É nesse cenário, através da revisão narrativa da literatura, fundamentada nas obras de Perls, Hefferline e Goodman, na fenomenologia da percepção de Merleau-Ponty como também nos levantamentos de produções bibliográficas atualizadas em torno do tema psicologia clínica contemporânea, investiga-se o papel da clínica gestáltica no desvelamento de tais ajustamentos criativos cristalizados. A partir das pesquisas iniciais, conclui-se que o resgate da awareness, aliado ao restabelecimento do "vazio fértil", pode promover novos ajustamentos criativos para uso consciente da tecnologia, utilizando-se dela como uma ferramenta facilitadora e não dependente e submersa ao ciberespaço.

Referências

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Publicado

2026-10-30