A singularidade do encontro
Manejo clínico na multiplicidade de demandas
Palavras-chave:
Gestalt-Terapia, Clínica-Escola, Manejo Clínico, Psicoterapia de Suporte, FenomenologiaResumo
O Estágio Específico II em Psicologia, realizado na Clínica-Escola da Faculdade Anhanguera de Joinville (SC), constitui-se como um espaço integrador entre ensino e extensão, fundamental para a consolidação da atitude clínica do futuro profissional frente ao sofrimento humano. Este trabalho tem como objetivo relatar a experiência vivencial no estágio e demonstrar a eficácia do manejo em Gestalt-Terapia diante da multiplicidade de demandas no setting terapêutico, contrastando a necessidade de suporte estrutural com a de aprofundamento clínico. Metodologicamente, trata-se de um relato de experiência qualitativo, ancorado no tripé epistemológico do Humanismo, da Fenomenologia e do Existencialismo, desenvolvido a partir do atendimento de dois casos de alta complexidade. Durante a práxis clínica, os resultados evidenciaram a necessidade de um constante "ajustamento criativo" por parte da estagiária-terapeuta para acolher polos diametralmente opostos de sofrimento psíquico. O primeiro caso apresentou extrema fragilidade estrutural, impulsividade, risco de surto psicótico e histórico de rupturas de fronteiras de contato. O manejo, nesse contexto, exigiu a aplicação da Psicoterapia de Suporte. A terapeuta atuou como um "ego auxiliar" ou suporte ambiental (PERLS, 1994), oferecendo contorno e ancoragem no "aqui e agora" mediante recursos lúdicos e psicoeducação, visando evitar a fragmentação do self da paciente. Em contrapartida, o segundo caso caracterizou-se pelo enrijecimento das fronteiras de contato em decorrência de introjetos socioculturais e dogmas religiosos (POLSTER; POLSTER, 2001), gerando intensa ansiedade e conflitos relacionais materno-filiais. Para este quadro, aplicou-se a Psicoterapia de Aprofundamento, visando flexibilizar defesas, promover a awareness (tomada de consciência) e instigar a paciente a resgatar o contato autêntico com as próprias necessidades. Em ambas as intervenções, a atitude fenomenológica e a suspensão de juízos a priori mostraram-se ferramentas indispensáveis para dar forma (figura) às emoções difusas (fundo) das pacientes por meio de experimentos criativos (ZINKER, 2007). Conclui-se que a prática na Clínica-Escola impede a cristalização do olhar profissional, comprovando que o psicólogo atua como um continente seguro e adaptável. A Gestalt-Terapia cumpre sua função ética ao fornecer o manejo exato para que os pacientes, independentemente da gravidade de sua estrutura, encontrem caminhos para reassumir a autoria de suas existências.
Referências
PERLS, L. Vivendo na fronteira. São Paulo: Summus, 1994.
POLSTER, E.; POLSTER, M. Gestalt Terapia Integrada. São Paulo: Summus, 2001.
ZINKER, J. O processo criativo em Gestalt-terapia. São Paulo: Summus, 2007.