Ecos entre gerações

Leitura do campo transgeracional numa perspectiva gestáltica

Autores

  • Maria das Graças Gouvêa Neco da Silva

Palavras-chave:

Teoria de campo, Fenômenos transgeracionais, Lealdades invisíveis, Metodologia clínica, Intervenções no campo

Resumo

Esta proposta utiliza uma noção ampliada da leitura de campo, procurando abranger o tempo longo dos sistemas familiares, numa perspectiva transgeracional. Sustentando a necessidade de ampliação da compreensão dos fenômenos de campo no trabalho da clínica gestáltica, o que é sinalizado, desde YONTEF (1998) até autores mais recentes como DE LUCCA (2012). A fim de fundamentar, instrumentalizar e discutir as intervenções terapêuticas e os fenômenos de campo, considerando os fenômenos transgeracionais, o presente trabalho se fundamenta na articulação de conceitos da Teoria do Self (PERLS, HEFFERLINE E GOODMAN, 1997; ROBINE, 2006), da Teoria de Campo (LEWIN, 1973), da Filosofia Existencial Dialógica (BUBER, 1982; 2001) e da Teoria Sistêmica aplicada à compreensão do sistema familiar, através das conceituações próprias da área, em destaque para a noção de “lealdades invisíveis” como propostas por BOSZORMENYI-NAGY E SPARK (2008). Deste modo reconhecer a organização da formação figura-fundo das relações a partir de um fundo transgeracional, tomando como base o conceito de “lealdades invisíveis” de BOSZORMENYI-NAGY (2008). E entendendo a centralidade da noção de lealdade na formação da função personalidade do self, segundo PERLS, HEFFERLINE E GOODMAN, 1997, p. 227. Tomando como pressuposto que a Gestalt-terapia é uma psicoterapia dialógica, como destaca YONTEF (1998) chamamos a atenção para os princípios dialógicos propostos por BUBER (1982; 2001) e nesta perspectiva ontológica aquilo que ele chama de palavras-princípio, que instauram os modos de ser: EU-TU/ EU-ISSO. E considerando o ser que somos, seres em aberto, co-constituídos pelo mundo a nossa volta (HEIDEGGER,2012), podemos reconhecer de que modo as lealdades familiares podem fornecer imperativos e injunções que em graus distintos e distintas modalidades favorecem a constituição de desvios de contato, (ROBINE, 2006), mais ou menos desatualizadas em relação ao presente, encenando relacionamentos EU-ISSO. (HYCNER, 1995) Considerando o acima exposto, apresentamos como instrumentalizar a intervenção terapêutica, com o uso da leitura topológica das forças presentes no campo, de forma fenomenológica e existencial sem criar teorias ambíguas ou nos valer das justificativas de causalidade ou ainda impor sentido ao vivido do cliente. Esta metodologia nos permite a descrição e exploração do campo relacional através de um rico conjunto de intervenções. E com o cuidado do olhar de campo ampliado, sustentamos a inclusão do ponto de vista do observador, a inclusão do sistema familiar de cliente e terapeuta, ou ainda inclusão de outras pessoas presentes no discurso do cliente, que participam do fundo transgeracional da “cena terapêutica”. O trabalho integral se constitui de um minicurso teórico-expositivo com discussão de exemplos clínicos.

Referências

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Publicado

2026-10-30